Viver nos dá chances de mudar qualquer cenário complicado.


O assunto suicídio ainda suscita um tabu e está cada vez mais preocupante, em especial entre os jovens. Segundo dados de 2017 do Mapa da Violência (sistema de informação de mortalidade do Ministério da Saúde), a taxa de pessoas que tiram a própria vida entre 15 e 29 anos no Brasil subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014. É um aumento de quase 10% em 12 anos.


A vida só perde o sentido quando acaba a esperança. E o que é a esperança? Não é apenas um sentimento, mas, acima de tudo, uma convicção pessoal, uma certeza de que a vida vale a pena. E viver vale a pena porque você não é dono da vida. Você não pertence apenas a si mesmo, é também de outras pessoas, do mundo.


Cada pessoa é única. Portanto, valiosa. Mesmo depois da morte, ela será lembrada pelo que fez e representou. Enfim, porque viveu. Não porque morreu.


O suicida não é um covarde. É um corajoso desesperançado.


Há saída para o suicídio? Sim. Ela depende de um olhar duplo e, aparentemente, antagônico. Uma vontade de criar uma ponte segura entre você e as infinitas possibilidades da vida. Para descobrir sua conexão com algumas delas. Porque elas existem.


Se você acha que já não serve para viver, tenha certeza de que é importante para alguém ou para muitas pessoas. Há crianças que foram muito desejadas por seus pais e que, em razão do destino, nasceram com sérios problemas físicos ou mentais. São seres que, tantas vezes, se transformam na razão da existência dos que cuidam deles com amor e carinho.


Há pessoas que tentaram o suicídio, não morreram e se tornaram brilhantes, descobriram curas para doenças, criaram meios para melhorar a vida de todos. Qualquer ser humano pode ser útil - a si mesmo e ao próximo.


“Viver é perigoso”, escreveu Guimarães Rosa (1908-1967). Por isso mesmo é fascinante, mágico, desafiador. Morrer não oferece oportunidades. Viver nos dá chances para mudar qualquer cenário.


Fonte: www.saude.abril.com.br